Considerado um dos mais bonitos do Brasil, o Teatro da Paz foi
fundado em 15 de fevereiro de 1878, foi construído pela iniciativa privada nos tempos áureos da
borracha, quando Belém era uma das cidades mais ricas do Brasil.
O primeiro grande teatro de ópera do extremo Norte, inspirado no Teatro Scalla de Milão (Itália), o Teatro de Nossa
Senhora da Paz, alusão ao final da guerra do
Paraguai, teve seu nome reduzido para Teatro da Paz dois dias depois da
inauguração. levou seis anos para ser erguido (1868 à 1874). Todo construído em estilo neoclássico, com colunas gregas na fachada, o
teatro possui vestíbulo e interior do salão nobre com pinturas de
temática amazônica pintados pelo artista plástico Aramando Balloni.
O teto da sala de espetáculos com motivos que representam o Deus Apolo
e as musas entrando triunfalmente na Amazônia foi pintado por Domenico
de Angelis.
O monumento relembra, ainda, os artistas que por ele passaram e a Belle
Époque, quando Belém era considerada a francesinha do Norte.
No alto da fachada frontal, quatro bustos de mármore que representam a
música, a poesia, a comédia e a tragédia. Sala de Espetáculos que
originalmente possuía 1100 lugares, hoje comporta 900.
A casa possui aparelhagem moderna de som e luz, além de refrigeração
Central.
HALL DE ENTRADA
O hall de entrada é
composto por materiais decorativos importados da Europa: ferro fundido inglês
nos arcos das portas; escadaria em mármore italiano; lustre francês; bustos em
mármore de carrara dos escritores brasileiros José de Alencar e Gonçalves Dias;
estátuas em bronze francês; piso com pedras portuguesas formando mosaico e
coladas com o grude do Gurijuba (peixe encontrado na região); paredes e teto
pintados representando as artes gregas.
CORREDOR DAS FRIZAS
Em 1905 é fechada a porta
principal de acesso ao salão de Espetáculos, já que a mesma prejudicava a
acústica, em seu lugar é colocado um espelho em cristal francês. Além do espelho
foram acrescentadas estátuas em pedra francesa e nas paredes foram fixadas
placas em ferro esmaltado contendo o regulamento da época informando que “é
proibido fumar”. O piso foi decorado em Parquê, utilizando as madeiras regionais
como acapú e pau amarelo.
SALÃO DE ESPETÁCULOS
As cadeiras conservam o
estilo da época em madeira e palhinha adequadas ao clima da região. A
balaustrada é toda em ferro inglês folheado a ouro. A pintura em afresco do teto
central apresenta elementos da mitologia greco-romana fazendo uma alusão ao Deus
Apolo conduzindo a Deusa Afrodite e as musas das artes à Amazônia.No centro do
teto foi adaptado o lustre em bronze americano que substituiu um grande
ventilador que ajudava amenizar o calor. Nas paredes, com motivos florais, as
pinturas imitam o papel de parede. O forro dos camarotes foram pintados
obedecendo à hierarquia social da época; para a 1ª classe eram utilizadas as
seguintes localidades: varanda, platéia, frisas, camarotes e procênios de 1ª
ordem; para a 2ª classe: galerias, camarotes e procênios de 2ª ordem e para 3ª
classe paraíso. Os procênios eram reservados as autoridades como: Prefeito chefe
de polícia e diretores de escola. O Camarote Imperial, atualmente do Governador,
situado na 1ª ordem de camarotes é ornamentado com mobília em madeira regional.
O pano de boca pintado na França no ateliê Carpezat intitulado “Alegoria à
República“ foi inaugurado em 1890 em celebração a República Brasileira.
SALÃO NOBRE
O Salão Nobre (Foyer),
local onde a nobreza costumava se reunir, para bailes, pequenos recitais e
durantes os intervalos dos espetáculos, é um espaço altamente decorado com
espelhos e lustres em cristal francês e bustos em mármore de carrara de dois
grandes compositores da época: Carlos Gomes e Henrique Gurjão. O mezanino do
salão era o local usado pelos músicos nos eventos sociais e freqüentado pelas
pessoas do paraíso em noite de espetáculos. Quanto à pintura do teto feita em
1960 é do Pernambuco Armando Baloni, que se inspira nas musas da música ladeadas
pela fauna e flora amazônica. As paredes, pintadas pelos italianos, retratam
motivos neoclássicos com buquês de flores.
FRONTARIA
No inicio do século XX a
frontaria foi o ponto mais significativo da reforma. Devido haver polêmico na
norma do neoclássico italiano: na regra colunas pares e entradas impares, mas
inaugurou ao contrário, com sete colunas e 6 entradas. Na reforma de 1905 foi
recuado o frontão, retirando uma coluna e uma entrada, para decorar colocaram
medalhões de musas, que representam as artes cênicas: comédia, poesia, música e
tragédia; as laterais a dança. No centro o Brasão do Estado do Pará. As
luminárias da balaustrada uma representam o dia e a outra à noite.