A gripe é uma doença contagiosa resultante da infecção pelo vírus
influenza. O vírus influenza infecta o tracto respiratório (nariz,
seios nasais, garganta, pulmões e ouvidos) podendo atingir diferentes
espécies (humanos, aves, suínos, etc.). Existe uma especificidade de
certas estirpes para cada espécie, isto é vírus que, por exemplo,
infectam habitualmente as aves só raramente infectam humanos. No
entanto, os vírus específicos de uma espécie podem sofrer uma mutação
que lhes confere capacidade de infectar outra espécie. Os peritos
consideram que a próxima pandemia (epidemia de grandes proporções que
surge em diversas zonas geográficas mais ou menos em simultâneo) de
gripe poderá vir a surgir desta forma.
Tipos de vírus da gripe
Dos três tipos de vírus influenza conhecidos (A, B e C) o tipo A é o
mais prevalente e está associado às epidemias mais graves. Os vírus
influenza podem infectar uma ampla variedade de hospedeiros.
-O vírus tipo A infecta um vasto leque de hospedeiros, sendo os
principais os seres humanos, os suínos, os cavalos e, especialmente, as
aves.
-O tipo B infecta principalmente os seres humanos, mas recentemente também foi isolado em cães, gatos e suínos.
-O tipo C infecta predominantemente os seres humanos, mas não provoca doença clinicamente relevante.
Os vírus tipo A e B estão normalmente associados a epidemias que
podem originar hospitalizações ou morte. Pelo contrário, o tipo C
provoca doença respiratória ligeira, ou não provoca qualquer tipo de
sintomas, não estando associado a gripe. Consequentemente, os esforços
para controlar os surtos de gripe visam apenas os tipos A e B.
Os vírus da gripe dos tipos A e B possuem 8 segmentos de ARN (ácido
ribonucleico) distintos no seu genoma. Dos 2 tipos de vírus
clinicamente relevantes, o tipo A é o que sofre alterações mais
profundas, motivo pelo que está frequentemente associado a epidemias e
a pandemias de gripe. Em contraste, o vírus tipo B pode sofrer pequenas
alterações antigénicas, contribuindo apenas para as epidemias de gripe.
Os vírus da gripe A e B têm natureza sazonal, ocorrendo os surtos geralmente durante os meses de Inverno.
Gripe aviária ou gripe das aves
A maioria dos vírus da gripe das aves não é infecciosa para o Homem. No
entanto, se um vírus da gripe humana e outro da gripe aviaria
infectarem uma pessoa ou um animal, os dois tipos de vírus podem
unir-se, sofrer mutações e dar origem a um vírus novo, passível de se
transmitir dos animais para o Homem, ou de pessoa para pessoa.
As vacinas desenvolvidas e administradas até à data para a prevenção da
gripe não seriam eficazes contra este novo vírus mutante, o que torna a
espécie humana vulnerável à infecção.
Descoberta e História do Vírus da Gripe
O vírus influenza tem características próprias que lhe permitem
mudar continuamente, escapando ao reconhecimento e inactivação pelo
sistema imunológico. Por esse motivo, surtos de gripe repetem-se todos
os anos e o vírus mantém-se em circulação em todo o mundo ao longo de
milénios. Fontes históricas revelam-nos que os vírus da gripe existem
há muitos séculos:
430-427 a.C. – Atenas foi atingida por uma “praga” com elevada
mortalidade, que alguns estudiosos acreditam ter sido desencadeada por
vírus da gripe. Presume-se que a gripe se terá complicado por infecção
a estafilococo, resultando em sépsis, síndrome de choque tóxico e morte.
Na idade média julgava-se que a gripe era causada por influência dos astros, donde se julga ter surgido a designação influenza.
1901 – Identificado o primeiro vírus da gripe – foi identificado em galinhas durante a epidemia que afectou estas aves em 1901.
1918 – A ” gripe espanhola ” ou ” gripe suína ” foi uma pandemia
causada por vírus da gripe tipo A. Esta pandemia provocou
aproximadamente 500 000 mortes nos Estados Unidos e 20 milhões de
mortes no mundo inteiro.
1931 – Isolamento de vírus da gripe nos suínos em 1931, que se
acreditava ter sido transmitido pelos seres humanos aos suínos durante
a pandemia de 1918.
1933 – Isolamento do primeiro vírus da gripe humano, do tipo A.
1940 – Isolamento de vírus da gripe do tipo B.
1946 – Isolamento de vírus influenza do tipo C.
Nos anos 40 foram introduzidas as primeiras vacinas inactivadas para
profilaxia (intervenção que visa prevenir a infecção). A profilaxia da
gripe é necessária devido à morbilidade e mortalidade associadas à
doença. Infelizmente, as primeiras vacinas variavam quanto à potência e
pureza, e podiam provocar reacções significativas. Seguiram-se formas
mais puras e eficazes.
1957-58 – “Gripe asiática”, uma pandemia provocada por vírus da
gripe do tipo A. Esta pandemia originou aproximadamente 86 000 mortes
nos Estados Unidos.
1968 – “Gripe de Hong-Kong”, uma pandemia provocada por vírus da
gripe do tipo A. Esta pandemia originou aproximadamente 34 000 mortes
nos Estados Unidos.
1977 – “Gripe russa”, uma pandemia também provocada por vírus da
gripe do tipo A. Os indivíduos mais idosos que tinham estado expostos à
mesma estirpe, quando ela estivera em circulação duas décadas antes, já
tinham alguma imunidade. Consequentemente, esta pandemia afectou
principalmente os indivíduos com menos de 25 anos de idade e não
resultou em mortalidade excessiva.
1997 – Pequeno surto de gripe altamente letal em Hong-Kong, causado
por uma estirpe de vírus da gripe que normalmente infectava as galinhas
e se transmitiu directamente a seres humanos. Morreram 6 pessoas que
contactavam com as galinhas mas o surto foi rapidamente contido pela
destruição em massa de todas as aves potencialmente infectadas.
Actualmente, existem em circulação vírus da gripe dos tipos A e B.
As suas variantes são incontáveis e em permanente mutação, tornando
muito difícil o controle da sua propagação.
Sintomas da gripe
Inicialmente, a gripe se parece com um resfriado comum, com
congestão nasal, coriza, espirros e dor de garganta. Mas resfriados
normalmente se desenvolvem lentamente, ao passo que a gripe tende a
começar repentinamente. Geralmente um resfriado causa apenas um
mal-estar. Na gripe, os sintomas são bem piores e a pessoa se sente
muito mal.
Os sinais e sintomas mais comuns da gripe são:
- Febre com temperatura superior a 38°C em adultos. Em crianças, a febre pode ser alta, com temperaturas de 39,5°C a 40,5°C.
- Suor e calafrios.
- Dores de cabeça.
- Tosse seca.
- Dores musculares, especialmente nas costas, braços e pernas.
- Fadiga e fraqueza.
- Congestão nasal.
- Perda de apetite.
- Diarréia e vômito em crianças.
Em casos onde haja piora dos sintomas com tosse com catarro, febre
alta e dor torácica (ou nos pulmões) ao respirar, isto pode indicar a
presença de uma pneumonia. Nestes casos, procure um médico o mais breve
possível.
Causas da gripe
O vírus de gripe viaja pelo ar em gotículas de água que são
expelidas pela tosse, espirro ou durante uma conversa. A pessoa pode
infectar-se por inalar as gotículas presentes no ar diretamente, ou
adquirir a infecção ao tocar objetos contaminados (como telefone ou
teclado de computador) levando os vírus à boca, nariz ou olhos através
das mãos.
A gripe é causada por três tipos de vírus — Influenza A, B e C. O
tipo A pode ser responsável por epidemias mundiais, que geralmente
ocorrem a cada 10 ou 40 anos. O tipo B pode leva a epidemias menores,
mais regionalizadas. O tipo C nunca foi ligado a uma grande epidemia.
O Influenza tipo C é um vírus claramente estável, mas os tipos A e B
estão em constante mudança, com novas mutações aparecendo regularmente.
Uma vez que se adquire a gripe, o organismo desenvolve anticorpos
contra determinado tipo de vírus. Mas como o Influenza está em
constante mutação, esses anticorpos não protegerão o organismo de novas
infecções. Essa é a razão pela qual os médicos recomendam a vacinação
contra a gripe a cada ano, pois a vacina varia de acordo com o tipo de
vírus mais presente na época.
Gripe: fatores de risco
Abaixo seguem as condições que podem favorecer o desenvolvimento da gripe e suas complicações:
- Bebês, crianças menores e maiores de 50 anos são mais susceptíveis à gripe.
- Pessoas internadas em casas de saúde.
- Portadores de doenças crônicas como diabetes, doenças do coração, renal crônico ou doença pulmonar obstrutiva crônica.
- Pessoas com sistema imune debilitado, como por exemplo portadores da infecção pelo HIV ou uso de medicamentos imunossupressores.
- Gravidez durante a época gripal.
- Trabalhadores de hospitais ou ambulatórios médicos.
- Trabalhadores de creches ou escolas.
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Complicações da gripe
Geralmente a gripe é benigna e desaparece sem deixar seqüelas.
Porém, crianças menores e idosos podem desenvolver complicações, tais
como:
- Otite, ou infecção do ouvido.
- Sinusite aguda.
- Bronquite .
- Pneumonia.
- Encefalite, ou infecção cerebral, nos casos mais graves.
A pneumonia é a complicação mais freqüente. Para os idosos ou
portadores de doenças crônicas, a pneumonia pode ser mortal. A melhor
proteção é a vacinação contra a gripe e também para a pneumonia
pneumocócica nestes casos. Para tanto, sempre consulte seu médico.
Tratamento da gripe
Geralmente, o tratamento da gripe baseia-se no repouso e aumento da
ingestão de água para melhor hidratação. Mas, em alguns casos, o médico
pode prescrever um medicamento antiviral como o oseltamivir e zanamivir.
Estes medicamentos, que tratam tanto o vírus Influenza A e B, atuam
desativando uma enzima de que o vírus precisa para crescer e
multiplicar-se. Se estas medicações forem prescritas logo no início dos
sintomas, elas podem encurtar a duração da doença em um ou dois dias. O
oseltamivir é uma medicação oral, mas o zanamivir é administrado por
via inalatória. Pessoas que têm asma ou qualquer outra doença pulmonar
não podem fazer uso do zanamivir.
Ambos os medicamentos podem causar efeitos colaterais, incluindo
vertigens, náuseas, vômitos, perda de apetite e dificuldade para
respirar. Eles também podem levar ao desenvolvimento de vírus
resistentes a estes medicamentos antivirais.
Em novembro de 2006, a Food and Drug Administration (FDA) exigiu que
o fabricante do Tamiflu incluísse uma advertência de que as pessoas com
a gripe, especialmente crianças, poderiam ter um risco maior de
automutilação e confusão mental após tomar o oseltamivir. A FDA
recomenda que os indivíduos com gripe, que venham a tomar o
oseltamivir, sejam cuidadosamente monitorizados para sinais de
comportamento incomum. Tais medicamentos só devem ser prescritos por
médicos.
Medidas de protecção individual contra a Gripe A(H1N1)
Evite o contacto próximo com pessoas com gripe! Procure não estar na presença de pessoas com gripe. Se ficar doente, mantenha-se afastado dos outros, pelo menos a 1 metro de distância, para protegê-los de
adoecer também.
Se ficar doente, permaneça em casa! Se estiver com sintomas de gripe, fique em casa e contacte a Linha Saúde 24, pelo número 808 24 24 24, de forma a proteger-se e evitar o contágio a outras pessoas.
Se tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com um lenço de papel! Para impedir que outras pessoas venham a adoecer, é muito importante, quando tossir ou espirrar, que cubra a boca e o nariz com um lenço
de papel ou com o antebraço, mas nunca com a mão! De imediato, deposite no lixo o lenço utilizado.
Lave as mãos frequentemente com água e sabão! É fundamental lavar as mãos com frequência, com água e sabão em abundância, durante 20 segundos, pelo menos, em particular depois de tossir ou espirrar. Em
alternativa, pode usar toalhetes à base de álcool.
Evite o contacto das mãos com os olhos, nariz e boca! Procure não tocar nos olhos, nariz e boca sem ter lavado as mãos, porque o contacto destas com superfícies ou objectos contaminados é uma forma frequente de transmissão da doença.
Limpe frequentemente as superfícies ou objectos mais sujeitos a contacto com as mãos! É necessário manter limpas, com um produto de limpeza comum, as superfícies sujeitas a contacto manual muito frequente, tais como mesas de trabalho e maçanetas das portas.
Estas medidas são também muito importantes nas crianças! Na prevenção do contágio nas crianças, é muito importante assegurarmo-nos de que estas medidas também são respeitadas por elas.
Se adoecer, assegure-se de que terá o apoio de outras pessoas! É importante saber a quem poderá pedir ajuda, em caso de necessidade.